Convergência
digital e as Empresas de Mídia
Trabalhar no micro, ouvindo rádio e falando ao
telefone, com as revistas espalhadas sobre a mesa. Ser informado
das notícias pelo jornal de manhã, pela internet
à tarde e pela TV à noite. A convergência
de mídias já é um fato. Mas as empresas
estão preparadas?
Estamos saindo de uma era close media familiar para
uma era open media, onde quem tem poder, mais que nunca,
é a Sra. Audiência. Ela já escolhe o que
quer saber, com que periodicidade, onde, por que meio, e ainda
exige urgência, interatividade e personalização.
A Convergência de Mídias, prevista por especialista
há 60 anos, tornou-se uma realidade.
O consumidor já está com comportamento multimídia.
Cerca de 70% dos Americanos acessam mais de uma mídia
simultaneamente, sendo que 30% da audiência de 18 a 33
anos acessam mais de 3 mídias ao mesmo tempo. No dia
a dia, a Sra. Audiência está muito mais conectada
(em média 11h/dia na web e 6h/dia na TV) e tem como rotina
provável: jornal pela manhã, internet à
tarde, PDA/Celular em trânsito, TV à noite.
A Audiência não se contenta mais em ser passiva,
transformando-se no agente da informação, gerando
e publicando conteúdo em larga escala, criando centros
de notícias, Blogs, desenvolvendo e participando de grupos
temáticos e/ou sociais, com códigos e linguagens
próprios e com atualização em tempo real.
Para a Convergência de Mídias acontecer foi preciso
desenvolver novas tecnologias que permitissem a sua efetivação,
enfocando a plena conectividade e a probabilidade do “any
time, any where”. Muito já se avançou
em termos tecnológicos, mas a convergência engloba
muito mais que isso. Nela se inserem os negócios, os
mercados, as iniciativas públicas, a regulação
etc.
Trata-se de um setor em que os conteúdos, aplicações
e serviços são elementos-chave. Surgem, portanto,
numerosas oportunidades para as empresas em áreas como
a geração de conteúdo ou os sistemas de
distribuição, que podem ser acessados de diferentes
redes.
E que tipo de negócio sustenta e sustentará isto?
Vemos a chegada cada vez mais próxima de um modelo de
publicidade local, interativa, pulverizada, multimídia
e surround. As empresas de comunicação
vão ter que reaprender a vender, criando “planos
de multimídia”. As agências de publicidade
e os anunciantes também precisarão mudar para
atender seus clientes e atingir a Sra. Audiência.
Outro desafio são as métricas necessárias
para pricing e para avaliação de resultados,
que ainda não estão prontas. Estão sendo
feitos esforços como o XMOS (Cross Media Optimization
Study) e o AdsML, para padronizar tecnologicamente e mercadologicamente
os anúncios, mas ainda não estão disponíveis.
Conseqüentemente, os processos de produção
também estão mudados. Um dos aspectos é
a organização e implantação, com
uso intensivo de tecnologia, das Redações Multimídia
para geração de conteúdos multimídia.
Outro fator é a disponibilização das informações
em tempo real, obrigando a publicação de sucessivas
versões com acertos subseqüentes e públicos.
Muitas destas iniciativas ainda trazem a carga cultural da origem
de seus produtores, seja jornal, rádio ou TV. Mas, aos
poucos, novas experiências de linguagens vêm sendo
experimentadas.
A distribuição para várias mídias
em tempo real endereça as facilidades dos padrões
XML para que os conteúdos possam ser adaptados aos diversos
dispositivos (Tablóides, Web, PDA. Telefone,
tablet PC, Painéis...) e para que possam ser
integrados aos sistemas aplicativos que os organizam, classificam
e selecionam, visando atender de forma personalizada a Sra.
Audiência.
Neste cenário, os dispositivos de recepção
para o trabalho, domésticos ou pessoais, com facilidades
multimídia, têm terreno fértil para prosperarem,
mas não causarão a revolução nos
hábitos. Esta revolução já foi feita
e seus efeitos estão sendo irradiados em altíssima
velocidade.
João Rios e Fernanda Correa
Publicado em 08/11/2004
Contato: João Rios

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