| Afinal,
cadê a TV Digital?
Muito já se falou sobre o assunto, alguns ainda não
sabem bem do que se trata e surgiram, inclusive, muitas especulações.
Porém, a grande questão continua no ar: em que
pé está a implantação da TV digital
no Brasil?
Para que a conversão do sistema analógico para
o digital seja realizada da melhor maneira possível no
Brasil, o Grupo Abert/SET TV Digital vem fazendo estudos, desde
1994, sob autorização da Anatel. O grupo, criado
para elaborar um planejamento técnico que viabilize a
transição brasileira, é formado pela Associação
Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert)
e a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e
Telecomunicações (SET).
Atualmente, existem três sistemas digitais terrestres
de radiodifusão no mundo: o norte-americano (ATSC), que
preza pela televisão de alta definição
(High Definition); o europeu (DVB-T), que preza pela interatividade
com imagens simultâneas em definição padrão
(Standard Definition); e o japonês (ISDB-T), que, além
de ser um misto dos outros dois, apresenta mobilidade.
Alguns países, como Canadá e Coréia do
Sul, adotaram o sistema norte-americano. Já Austrália
e Índia, por exemplo, escolheram o modelo europeu. Há
uns dois anos, os esforços da Agência Nacional
de Telecomunicações também eram voltados
para a escolha de um dos três sistemas para o Brasil.
Entretanto, com a mudança de governo, os trabalhos tomaram
um novo rumo. A idéia, hoje, é desenvolver um
sistema nacional. E o presidente Lula quer os brasileiros assistindo
à Copa 2006 em TVs digitais, o que, num cronograma feito
de trás para frente, dá ao Ministério das
Comunicações, que hoje lidera o programa, um prazo
até abril de 2004 para a definição do sistema
brasileiro.
E quando se fala em um sistema nacional não se está
falando em desenvolver aqui um hardware. O desenvolvimento do
hardware nos remete a questões importantes como escala
de produção, investimentos, concorrência
e ainda o risco de o Brasil ficar isolado do resto do mundo
em relação ao sistema utilizado, porque não
haveria integração e os custos seriam altíssimos
(pesquisas indicam que cada um dos sistemas levou de 5 a 10
anos para ser desenvolvido e consumiu cerca de US$ 500 milhões).
Tudo isso encareceria todo o processo, deixando a TV digital
inacessível. E, ao implementar uma tecnologia no Brasil,
deve-se levar em consideração que a nossa população
é muito pobre. Para o governo, a acessibilidade e a inclusão
digital são questões relevantes e a digitalização
da TV aberta pode ser vista como a primeira forma de inclusão,
já que atinge um número maior de pessoas. Por
isso mesmo, o desenvolvimento do sistema nacional não
pode ser muito custoso ao país.
Como para o funcionamento da TV Digital é necessário
hardware, middleware e softwares (aplicativos), a sugestão
do grupo Abert/SET é a de fabricar no Brasil apenas o
middleware, que é o sistema operacional, compatível
com os outros sistemas e que sejam permitidas aplicações
tanto nacionais quanto internacionais. Outra proposta é
implantar uma emissora piloto, uma espécie de laboratório,
para realizar testes, treinar e criar know-how na recepção,
produção e transmissão de programas com
sinal digital terrestre, conforme Modelo do Projeto Piloto de
TV Digital, desenvolvido pelo Grupo Abert/SET, com o apoio da
Laboris Consultoria. O grupo ressalva ainda a importância
de emissoras de TV e fabricantes participarem ativamente das
discussões de um padrão brasileiro.
Para o Ministério das Comunicações é
preciso que o modelo definido seja flexível, que leve
em consideração interatividade, multiprogramação,
alta definição e mobilidade. Além disso,
o ministério estabeleceu os seguintes atributos ao Sistema
Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) para que este
seja viabilizado: baixo custo e robustez na recepção,
para atingir as classes C, D e E; flexibilidade e capacidade
de evolução, para atender às classes A
e B; interatividade e novos produtos. As finalidades são
promover a inclusão social e digital, exportar para a
América Latina e desenvolver tecnologia de engenharia
de sistemas e produtos no Brasil.
Agora é esperar para ver... Em TV digital, claro.

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