TV Digital no Brasil

“A grande disseminação da TV digital no Brasil não se dará através da compra de novos aparelhos televisores, mas sim pela conversão do padrão analógico para o digital, através de equipamentos acoplados aos aparelhos analógicos”

Apesar de a escolha do sistema para TV digital no Brasil estar marcada para acontecer somente em julho, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá escolher entre os padrões europeu (DVB), japonês (ISDB) e americano (ATSC), as empresas que apostam na efetiva implantação do novo sistema já começaram a se fixar no mercado. Entre esses casos está a Laboris Consultoria, que criou uma unidade de negócios específica para dar consultoria em oportunidades de negócios na TV digital, a Laboris Digital.

A Laboris já prestava esse tipo de consultoria em outros meios de comunicação eletrônicos, principalmente internet, e o know-how em TV digital começou a ser adquirido em 1997. A decisão de Corina Engel, sócia-diretora da Laboris, de firmar o quanto antes a consultoria no setor é justificada. Sua expectativa é que sejam gerados negócios da ordem de US$ 10 bilhões, durante os próximos dez anos, prazo que, também segundo ela, durará o tempo de implantação da nova tecnologia no país.
"Mais do que escolher entre uma das três opções, o Brasil estará definindo uma ordem de novos negócios que se desdobrará também no restante da América Latina", explicou. "Para se ter uma idéia da importância da decisão brasileira sobre o padrão a ser escolhido, a Argentina já anunciou que espera o Brasil optar por um sistema para então definir o seu", informou a responsável pela Laboris Digital, Izabel Mattos.
"Na prática, o que se espera é que novos parques de produção de eletroeletrônicos sejam instalados na região por conta da venda de aparelhos de TV digital, ou pelo menos conversores. Com o tamanho do Brasil e o potencial de consumo, é natural que os próprios fabricantes estejam esperando ansiosos essa decisão", completou a especialista.
A Laboris foi criada há seis anos. Com base na experiência já adquirida em TV digital, Izabel avalia que o tempo de dez anos para implantação da novidade no país não é longo. "É muito menos tempo do que o amadurecimento verificado na Europa e Estados Unidos", explicou, acrescentando que o Brasil terá o benefício de apenas importar uma tecnologia pronta, enquanto as outras regiões tiveram que criar e melhorar seus padrões.
Também nesse ponto, a consultora avalia que o sistema japonês tem a vantagem de combinar o uso da internet à alta qualidade de imagem. "Já o sistema americano pecou no início quando acreditou que TV digital era um sistema de internet na televisão", analisou. "Hoje, entretanto, eles estão na segunda geração de TV digital que foi bastante aperfeiçoada", disse.
Sobre o padrão europeu, ela vê a interatividade como vantagem sobre os outros. "A intercomunicação está bastante avançada lá. Para se ter uma idéia, 30% da interatividade na votação do programa Big Brother inglês aconteceram via TV digital e isso significou receita de R$ 4 milhões em cada um dos episódios da série", disse.
Izabel acredita que a grande disseminação da TV digital no Brasil não se dará através da compra de novos aparelhos televisores, mas sim pela conversão do padrão analógico para o digital, através de equipamentos acoplados aos aparelhos analógicos.
A vantagem do conversor é o custo bem mais baixo: uma TV digital custa cerca de US$ 2 mil, enquanto o aparelho de conversão custa US$ 200. Alguns fabricantes de TV, como a americana Zenith, defendem a aprovação do sistema americano, como forma de aumentar suas bases de produção melhorando as condições dos aparelhos através do ganho em escala.
A empresa acenou às autoridades com facilidades como a redução de royalties e pretende oferecer verba para que o Brasil crie um fundo de investimento em pesquisa de telecomunicações. Outros fabricantes defendem a adoção do padrão europeu. Já a maioria das emissoras quer o sistema japonês.

Por: Cláudia Lobo
Publicada no Valor Econômico, em 29/04/02










 

 

 
 
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